Acontece no próximo dia 28 de outubro no auditório da UniSant’Anna em São Paulo, a cerimônia da 27ª edição do Prêmio ABRP – Associação Brasileira de Relações Públicas. Mais de 100 trabalhos concorreram em diversas categorias, neste, que é hoje o maior prêmio da área em todo o país.
A agora profissional, Thais Rodrigues Marin, formada em 2008 pela UNESP/Bauru é uma das finalistas na categoria Monografia Governamental – orientada pelo Prof. Dr. Jefferson Oliveira Goulart, professor do Departamento de Ciências Humanas da FAAC/Unesp.
Em seu trabalho, Thaís debate o papel da comunicação pública e seus respectivos reflexos nas ações institucionais desenvolvidas pela SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária), e sua interlocução com os demais níveis de governos, entidades e sociedade civil para o fomento da economia solidária.
Logo que soube da indicação, entrei em contato com a “veterana” e pedi que compartilhasse um pouco de sua experiência na construção deste trabalho, que hoje concorre ao Prêmio ABRP. Desde já agradeço a disponibilidade da Thais e lhe desejo sucesso, no prêmio e na carreira que se inicia.
Acompanhe:
- Como você chegou à escolha deste tema para o seu trabalho de conclusão de curso, e como foi o período de construção deste trabalho que hoje é finalista do prêmio ABRP?
Durante a faculdade, participei da Incubadora de Cooperativas da UNESP/Bauru, onde conheci a temática da economia solidária que me despertou um grande interesse de pesquisa. No meu último ano, estava envolvida com meu projeto de iniciação científica, cujo tema era a SENAES e as políticas públicas de economia solidária desenvolvidas pelo governo federal durante o primeiro mandato do Lula. O objetivo do estudo era tecer uma análise das políticas. Como já vinha me dedicando a esse estudo, optei por continuar com a temática sob outro viés, o da comunicação pública e das Relações Públicas. Evidente que pude fazer isso por perceber que a discussão era completamente válida e havia ali um interessante campo de estudo para a comunicação, já que para implementar suas políticas a SENAES estabelece parcerias com outros ministérios, secretarias, governos estaduais e municipais, ONGs, universidades e demais entidades de apoio à economia solidária. Assim, construí uma monografia, sem caráter de projeto experimental, pois o estudo não buscou propor estratégias, e sim traçar um panorama das Relações Públicas da SENAES.
O período de construção do trabalho foi bastante produtivo e gratificante. Cansativo também, claro, mas um cansaço prazeroso. Foram leituras, pesquisas, horas em frente ao computador, atendimentos, discussões e, sobretudo, dúvidas. Quando você finalmente protocola seu TCC, sente que todo o esforço valeu a pena. Ali está o resultado de quatro anos de curso.
- Como você vê no atual cenário brasileiro uma possível previsão acerca do “casamento” Relações Públicas + Economia Solidária?
O movimento da economia solidária é um grande representante dos movimentos sociais contemporâneos no Brasil. As novas configurações sociais e a eclosão de novos conflitos sugerem um constante repensar da ação dos movimentos sociais. Assim, como já elucidou Maria da Glória Gohn*, tem-se que o grande desafio para os movimentos sociais contemporâneos é articular estratégias e agir globalmente. Para a economia solidária, o maior desafio é definir horizontes práticos e sistematizar maneiras de alcançá-los. É preciso definir seu modelo de desenvolvimento. E, para isso, a articulação com outras lutas tem se mostrado fundamental. É justamente por essa necessidade de articulação que vejo um casamento perfeito entre economia solidária e Relações Públicas. Identificar cenários para a expansão do empreendimento e demais atores parceiros; elaborar e aplicar pesquisas com comunidades; planejar as atividades do grupo (planejamento participativo); articular redes de consumo e troca; organizar eventos como feiras solidárias; contribuir na construção e difusão do conceito da economia solidária; contribuir no relacionamento do grupo com entidades representativas, poder público e demais movimentos sociais etc. são todas atividades que podem ser exercidas por um profissional de Relações Públicas no movimento da economia solidária. Enfim, qualquer atividade que gerencie estrategicamente a informação, que é a matéria-prima das Relações Públicas, pode ser aplicada ao dia-a-dia de um movimento social por um RP. Trabalhar com empreendimentos de economia solidária é um interessante campo de atuação para o profissional.
* GOHN, Maria da Glória. Novas teorias dos movimentos sociais. São Paulo: Loyola, 2008.
- Seu trabalho concorre com uma monografia que enfoca as Relações Públicas como um caminho para a cidadania, e outro trabalho sobre as relações internacionais do governo brasileiro – Você está confiante com o seu tema, que ainda é uma novidade em se tratando de pesquisa acadêmica com enfoque nas Relações Públicas?
Analisar a atuação de uma agência governamental na implementação de suas políticas, especialmente políticas de economia solidária, com base nas Relações Públicas é uma novidade na agenda de pesquisa da comunicação. Estou confiante porque acredito que fiz um bom trabalho. Contudo, não conheço as outras pesquisas que, pela temática, parecem ser bem interessantes. De qualquer maneira, em prêmios como esse não há ganhadores e perdedores; todos ganham à medida que a divulgação desses trabalhos contribui imensamente para a produção do conhecimento na área.
- De onde partiu a idéia de concorrer ao prêmio ABRP 2009?
Conheci o Prêmio ABRP através de outros estudantes, nossos veteranos, quando eles se inscreveram para concorrer nos anos anteriores e foram finalistas. Prêmios como esse contribuem para aperfeiçoar e divulgar o conhecimento produzido na área. Penso ser fundamental a participação dos profissionais de Relações Públicas, principalmente os recém-formados. Por tudo isso decidi me inscrever.
- Para você, recém formada, qual o diferencial para que um aluno de graduação faça um bom trabalho de conclusão de curso?
O primeiro passo é querer fazer um bom TCC. Ter afinidade com o tema e tempo disponível para se dedicar são peças-chaves. Evidente que escolher um orientador que dê o suporte que demanda a pesquisa também é fundamental. Além disso, há outras questões a serem consideradas, como a escolha de um tema pertinente à realidade das Relações Públicas; a construção de objetivos claros; o levantamento de uma bibliografia adequada; a estruturação de cronograma; e competência para tecer as discussões que a pesquisa propôs. Acredito que todo estudante é capaz de desenvolver um projeto bem-estruturado e completo, basta se preparar aos poucos para isso durante todo o curso – e isso significa: aulas, leituras, discussões, grupos de estudo, eventos de RP; tudo aquilo que te faça “pensar” as Relações Públicas.
- Como foram seus anos de RP UNESP? Valeu a pena?
Com certeza valeu a pena. Não só pelo curso, mas pelas oportunidades que pude aproveitar durante os quatro anos. Fiz estágio na universidade e fora dela; fui da gestão da RP Jr.; participei da Incubadora de Cooperativas Populares da UNESP/Bauru; desenvolvi minha iniciação científica; participei de grupos de estudos; ajudei a organizar eventos no campus; fui a debates, simpósios e palestras de Relações Públicas; expus trabalhos acadêmicos em eventos etc. Acredito que o aluno não se forma somente pelo curso, que é, sem dúvida, a essência da formação profissional, mas também pelas atividades extra-curriculares com as quais se envolve. No caso do curso de Relações Públicas da UNESP, tais atividades podem proporcionar uma grande bagagem teórica, prática e, sobretudo, humana acerca da realidade da profissão e do dia-a-dia do profissional no mercado de trabalho. É o aluno, sempre, que garante uma boa formação, independente de quantas estrelas o curso esbanje nos tantos manuais que conhecemos.