Fabio Procópio

20/11/2009

Teste cego da Kaiser: opinião pública e concorrência

Arquivado em: Blogs e Comunicação — Fabio Procópio @ 16:40
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Tendo como mote o slgan: O maior teste cego já realizado no Brasil, a Kaiser lançou na última semana um vídeo de um pouco mais de um minuto citando abertamente o nome de seus concorrentes (Brahma, Skol, Nova Schin e Antártica).

Com o ator Humberto Martins estrelando a campanha, a Kaiser se utiliza do método do teste cego para provar que sua marca não tem nada a perder para as outras concorrentes. Amparados pelo Instituto de Pesquisa Datafolha e com auditoria da Ernest & Young, a marca tenta passar o máximo de credibilidade para a pesquisa e sua campanha.

A metodologia da pesquisa consistiu na realização de mais de 2.500 entrevistas com homens e mulheres, de 21 a 54 anos, pertencentes às classes A, B, C e D, que tivessem tomado cerveja clara pelo menos uma vez nos últimos 30 dias e que residem em Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Para a campanha, foi criado também um hotsite para as pessoas que queiram saber mais detalhes sobre a pesquisa. O que desperta o interesse do público, de blogueiros e publicitários é saber até quando essa campanha vai ser veiculada, pelo fato de citar outras marcas de cerveja, e qual será o contra-ataque das mesmas com essa campanha.

Fato é que a Kaiser, pertencente ao grupo mexicano FEMSA, também aproveita dessa oportunidade para lançar o novo rótulo da marca de cerveja em questão (agora com tons mais dourados), que também foi resultado de uma pesquisa feita com seus consumidores – a embalagem e seu logotipo foram “atualizados”.

A idéia é essa mesmo, fazer com que cada dia mais o público tenha participação nas campanhas das organizações, assim como, vejam a sua vontade/necessidade esteja no produto final da projeto/campanha em questão. Não vejo problemas, nem me antecipo a dizer que é falta de ética se utilizar dos nomes da concorrência para a auto-promoção.

Acredito sim, que esta campanha foi o estopim para uma série de outras campanhas que possam vir para fazer alusão à Kaiser e sua imagem no mercado. Não podemos esquecer que o verão está aí, assim como as festas de fim de ano e o carnaval – período em que o consumo de cerveja é muito grande, e a corrida pelo lucro e venda no mercado por parte das indústrias cervejeiras é enorme.

Mais um exemplo de casar a opinião pública, a mídia e campanhas que façam o consumidor pensar/repensar seus hábitos de consumo.

17/11/2009

Quais são os públicos do Brasil ?

Arquivado em: Blogs e Comunicação — Fabio Procópio @ 13:09
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A Nation Brand Index, importante nome quando o assunto é pesquisa de âmbito internacional, divulgou no último dia 30 de outubro o resultado de um trabalho que tinha o objetivo de “medir” e saber a posição de 50 países em relação à sua imagem e reputação.

Tendo como composição do índice os critérios de governança, cultura, imigração, investimento, turismo e exportação, a pesquisa teve um resultado satisfatório para o Brasil – que subiu sua posição no ranking em relação à pesquisa realizada em 2008.

Estados Unidos encabeça a lista, seguido da França, Alemanha e Reino Unido. O Brasil ficou em 20º lugar, e primeiro da América Latina – trazendo o turismo, lazer  e entretenimento como os suas melhores características (diferente dos outros países citados acima, que se destacaram por sua administração e economia).

Agora aqui levanto uma problemática. Quais as conseqüências de o Brasil ser visto, e bem visto, por suas atividades culturais e no turismo, e acabar não sendo tão levado a sério quando o assunto é político, políticas de mercado, e sua economia?

Acho que plantamos isso, e sim – ainda somos um país com a política da corrupção implantada no sistema de poder, mesmo sendo apontado ultimamente como a quinta potência mundial, ou o país do futuro onde tudo dá certo.

Queria discutir sobre o risco da imagem que passamos, e o confronto desta com a real imagem que vemos estampadas todos os dias em nossas cidades, jornais e notícias em geral. Creio que é uma discussão pertinente para nós, futuros profissionais de RP pelo fato de trabalharmos exatamente isso: o confronto do real com o que se quer/deve passar. O Brasil atualmente passa por isso, e este posicionamento (não o da pesquisa em si), mas o posicionamento que continua em nossa política e administração pública, está correto?

Devemos ter mais foco? Voltar nossos olhos para uma melhor comunicação com nossos públicos? Quais são os públicos do Brasil? Parece ser uma discussão ampla, e até algo que foge da realidade de um possível debate…mas vamos ser RPs do Brasil, pelo menos pelo período em que lermos e debatermos este texto…Vamos levantar propostas e estratégias que podem ser traçadas…Conto com vocês.

10/11/2009

ERERP 2009 – Hora de construir

Arquivado em: Blogs e Comunicação — Fabio Procópio @ 14:29
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OgAAANN9I--EeSOOAugqkqB59xAJqDdpyLeOLkqbdnlSnz10jAEeCsFfm1-6PhIWSkVGtR78jBSlAo1G06swPSMIkIkAm1T1UIwUWTpTrwsQnAyiwzKgldMQ8ilSO Encontro Regional de Estudantes de Relações Públicas  nasceu da idéia de alguns alunos do curso de RP da UNESP/Bauru. Motivados e inspirados pela reunião de estudantes de outros cursos, nasceu a idéia de se realizar um primeiro encontro que pudesse trazer à tona algumas discussões, trocas de experiências e construção coletiva para a carreira em comum.

Com participantes vindos da UEL, PUC Campinas, UNISO, Metodista, PUC Paraná, USC e UniSantos; o ERERP Bauru trouxe a temática: Quais Relações? O objetivo era mesmo a discussão que vinham do âmbito da própria denominação do curso, assim como os problemas que estavam ligados ao mercado de trabalho e à própria academia. Foi um evento muito importante para criar a consciência nos jovens que alí estavam, de que era necessária a discussão e a reflexão a respeito da profissão que íamos atuar futuramente.

No ano de 2008, fomos para o SUL ! O ERERP aconteceu em Curitiba, terra fria e cheia de gente bonita e disposta a discutir a Multifuncionalidade do RP (tema do encontro). Com um número maior de participantes do que em Bauru, porém um número menor de universidades participantes, o II ERERP trouxe excelência em sua organização (que mesclou estudantes de 3 universidades da cidade), além de discussões que vinham de diferentes visões (academia, mercado, conselho da profissão, etc). Londrina foi escolhida como a sede do III ERERP.

Com uma interessante temática que vai tratar de imagem e reputação, o ERERP Londrina se destaca pelo grande número de inscrições já feitas, assim como participação em suas palestras de grandes nomes como Rudimar Baldissera, Flávio Schimidt e Jussara Sant’anna Belo.

O encontro acontecerá de 27 a 29 de novembro de 2009 !

Já fez sua inscrição? Ajude a construir a história do ERERP

Um encontro de estudantes, para estudantes!

09/11/2009

Relações Públicas e o caso UNIBAN – Reflexão necessária

Arquivado em: Blogs e Comunicação — Fabio Procópio @ 01:12
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Vimos massivamente na mídia durante a última semana o caso da estudante Geyse Arruda, que foi hostilizada em sua universidade no dia 22 de Outubro por mais de 700 alunos que estavam presentes no local.

Como resultado de toda a polêmica, das aparições da jovem em programas de TV, rádio, internet e pela má administração do caso por parte da universidade, a mesma divulgou uma nota à imprensa anunciando a expulsão de Geyse da instituição de ensino.

Pois bem, você acha essa atitude correta? Antes de tomarmos nossas conlusões, gostaria de levantar alguns pontos importantes, e creio eu, simples, que deveriam ser levados em consideração antes desta medida tomada pela UNIBAN.

Na última semana, em discussão no grupo de estudos que participo na UNESP, entramos sem querer no assunto do caso UNIBAN e ouvi algo muito interessante e que vem de encontro com o que a comunicação, a sociologia e estudiosos estão publicando ultimamente – a questão da influência do virtual na vida real, e suas consequências.

Jornais, revistas, livros, tweets e programas de TV sempre discutem a respeito das consequências da tal geração Y. Eu acho que o fato ocorrido na UNIBAN é sim um exemplo desses debates e das mazelas que a mesma pode acarretar. No mundo virtual existe uma “falsa”liberdade de se fazer o que o indivíduo bem entender, estão revestidos de uma “capa” que se fantasia de “liberdade” , ou “personalidade” que ao encontrar a realidade faz com que ocorram casos como este da jovem universitária.

O que leva uma pessoa a hostilizar uma colega de sala, pelo simples fato de a roupa da mesma não se encaixar em seus padrões de respeito, bom senso e educação ? Este é o problema, os jovens (me coloco nesta faixa social), estamos preparados para julgar e colocar em debate a educação, o respeito e o bom senso que julgamos ter? Temos isso em nós? Ou estamos revestidos de um sentimento que nos faz crer que temos domínio sobre os mesmos e utilizamos/julgamo-os na esfera virtual ?

Por outro lado, analisando a posição da UNIBAN diante do fato – como podemos crer em uma educação justa, democrática e voltada para os problemas atuais com atitudes como esta da universidade? Como serão os profissionais formados pela mesma? E os seus professores, e sua administração? – Sim, devemos colocar em risco e em análise todas essas questões que formam o corpo da universidade. Hoje em dia, um dos temas mais atuais que estão em pesquisas não só de comunicação mas também de psicologia, sociologia e educação é a questão do assédio moral nas organizações, e em lugares onde exista o convívio em grupo.

Temos inclusive aqui na UNESP, um trabalho de conclusão de curso de uma estudante de Relações Públicas que trata da questão do assédio moral nas organizações – este é um tema muito importante para profissionais de comunicação, porque também permeia o âmbito de convívio e de gestão de pessoas nas instituições.

E a imagem da UNIBAN? Outro tópico a ser discutido…Como fica a “marca” da instituição no mercado? E nos diplomas dos que já se formaram na mesma? E para estudantes que vão prestar vestibular para estudar na universidade?

Acho que é um caso que tem muita relação com nossa profissão (no meu caso, futura profissão) e que deve ser analisado e tomado como exemplo(no sentido de “case”) para verificarmos até que ponto uma empresa, organização, instituição podem tomar atitudes “infundadas”ou por pressão pública para resolver uma crise.

Me policiei aqui para não tomar nenhum partido a respeito da atitude da estudante, pós acontecido. Creio que ela se aproveitou sim do momento, ganhou seu dinheiro com aparições em programas (sensacionalistas, inclusive) e teve seu nome estampado no New Yoyk Times.

Gostaria de abrir um espaço para o debate tanto da atitude dos alunos, do posicionamento da instituição e da repercussão do caso na mídia, assim como do olhar da comunicação e das relações públicas no caso. Vamos para os comentários?

Abraços

05/11/2009

Brasil é exemplo de comunicação em Portugal

val

Hoje vou postar um texto da aluna de Relações Públicas aqui da UNESP Valéria Dumangin Santiago, que atualmente está em um programa de  intercâmbio em Porugal estudando comunicação. Desde já agradeço à Valéria por contribuir com o blog, e os que tiverem alguma dúvida sobre o intercâmbio ou mesmo alguma curiosidade sobre como tem sido a experiência para ela, deixe nos comentários!

Pois, pois…

Nestes quase dois meses que estou em Portugal, pude perceber que ser erasmus (estudante de intercâmbio) na Europa é uma experiência engrandecedora. Entretanto, ser erasmus de ciências da comunicação é muito mais interessante.

Grande parte das pessoas que eu conheço têm uma imagem de que fora do Brasil, nos países de primeiro mundo, tudo é melhor, tudo foi mais estudado, tudo temos que aprender com eles, seja em como se deve aplicar as leis, formas de educar e valorizar as expressões. Sim, é impressionante chegar em um país e não ter que olhar para os lados ao atravessar a avenida se você está na faixa de pedestres e os serviços públicos desvalorizados, alguns dos fatos negativos com que convivia.

Mas então, você vai para sua aula na universidade, e ninguém te prepara para ouvir o nome de seu país entrar como exemplo de comunicação evoluída em todos as áreas comunicacionais. A influência que o Brasil tem nessa âmbito em Portugal é muito forte.

Este processo inverso que aconteceu com os portugueses, isso é, uma ex-colônia ensinar sua metrópole, explica-se muito pela influência americana no Brasil nos anos 60, quando as mídias do país, principalmente a Globo, aprenderam como a comunicação é um meio lucrativo, que necessita de investimentos constantes para continuar atualizada. Aprendeu tão bem, que passou a ser referência, pois soube traduzir à sua maneira tudo que absorveu, tendo como maior caso de sucesso suas telenovelas, que são grandes guias brasileiros para o mundo. Não há quem não tenha assistido aqui a pelo menos uma, também aqui se ouve frases feitas de personagens populares e o sucesso é e sempre foi tanto que não há a necessidade de se traduzir os diálogos para o português de Portugal – sim, eles passaram a nos entender muito bem.

E através das telenovelas, foi que Portugal foi conhecendo mais sobre o desenvolvimento da comunicação, e passou a buscar acompanhar o processo conosco. Teóricos, engenheiros de mídia, diretores, muitos foram os profissionais importados até que se alcançasse a independência mediática portuguesa.

As telenovelas são o grande fenômeno ao meu ver – tanto que passo a enxergar o conteúdo delas de outra forma, ponderando se seria reinterpretar a realidade brasileira e enganar se seu conteúdo fosse mais pensado como ferramenta de uma boa imagem do país-, mas também se ouve comparações de nossas publicidades – como sinto falta da propaganda brasileira!-, e ainda se lê Mauro Wilton de Souza na aula e utiliza-se do marketing das Havaianas para exemplificar um caso de sucesso.

Infelizmente, não vi muito reconhecimento da profissão de relações públicas nessas terras, mas por outro lado, quando nossa profissão se firmar, já há uma grande área para se trabalhar, pois sinto que eles ainda não transformaram completamente o olhar administrativo a fim de valorizar a relação com seus clientes. Um processo que faz parte da profissão de relações públicas: Mostrar que há sempre espaço para ele atuar no mercado de trabalho. Nosso primeiro emprego já começa nessa ação, pois, pois!

Valéria Dumangin Santiago, 21 anos,  estudante do 3° ano de Relações Públicas na UNESP-Bauru, atualmente em intercâmbio.

04/11/2009

A arte de contar histórias nas organizações

Quero que este post seja mais um estímulo à discussão e construção coletiva nos comentários, e não um mero texto expondo determinado assunto – mesmo porque vou falar da arte de se contar histórias e a importância disso no contexto das organizações e como ferramenta de trabalho do comunicador.

Entendo que o storytelling é a arte de dar significados para algo poder ser significado. Parece meio complicado não é? Pois bem, tomando como base um artigo apresentado no XXXI Encontro da ANPAD, de autoria de Cintia Rodrigues de Oliveira Medeiros, podemos notar um pouco a importância de se contar e externar as “histórias organizacionais”.

No artigo que tem como estudo de caso a VALE, Cíntia Rodrigues mostra a importância de se estudar o contexto da empresa através de uma análise de sua cultura organizacional, passando depois para os conceitos específicos do storytelling.

“A idéia de que as organizações são construídas e reconstruídas discursivamente, visto que são faladas, escritas, personificadas, codificadas e registradas (KORNBERGER; CLEGG; CARTER, 2006), leva ao conceito de polifonia organizacional (HAZEN, 1993), compreendido como sistemas verbais socialmente construídos, ou a variedade de diferentes discursos que constituem a realidade organizacional.”

Acho muito importante que o profissional de comunicação esteja atento a essas histórias que são contadas diariamente na organização, nos seus mais diferentes setores e em nas diversas maneiras que essa mesma história possa ser contada – essa é a realidade organizacional, e este é o modelo que acredito que possa ser de construção mútua e pode servir de espelho (o mais digno) da organização – sabe quando dizemos que nossa meta/função é fazer com que a empresa “fale a mesma língua”?

Cíntia ainda diz no texto que as empresas estão cada dia mais se utilizando do storytelling (mesmo sem saber), para criar uma realidade comum entre os seus membros internos e externos – criar significados para que continuem na organização, para que os clientes comprem seus produtos,entre outros.

Acredito no storytelling como uma ferramenta de tornar a organização um significado para seus clientes, seus colaboradores e ajudar no processo de construção de imagem e reputação da mesma. É um tema ainda pouco discutido no âmbito da comunicação, mas bem importante e significado de diferencial para os que souberem se utilizar do mesmo.

Utilizar-se do storytelling é unir a multiplicidade das histórias para criar uma realidade – a realidade organizacional (BOJE, 1995; MILLS, BOYLSTEIN, LOREAN, 2001).

29/10/2009

Viral Google Brasil: O Orkut vai mudar/mudou

Já ouviram falar do Danilo Miedi? Danilo Miedi

Um jovem antenado com as novas tecnologias e muito preocupado em fazer a divulgação das novas mudanças do orkut.  Sua intenção era ser o primeiro brasileiro a testar as mudanças e para isso fez um barulho nacional, fazendo intervenções em diferentes mídias. Conheci suas ações através de um amigo meu, Matheus Montanheri, também estudante de Relações Públicas aqui da UNESP.

Com a maioria de suas ações concentradas no mês de outubro, Danilo Miedi fez com que seus vídeos fossem assistidos por mais de um milhão de pessoas, e que muitos blogueiros, estudantes de comunicação e especialistas em virais descobrissem que se tratava de uma ação da Google Brasil.

Além de alimentar um blog, Danilo também tem uma conta no twitter e conta com participação em vídeos da banda Skank, com o cantor da banda Detonautas – Tico Santa Cruz, o famoso David (mexeu com a Xuxa), e por aí vai…

Enfim, a Google anunciou nesta quinta-feira as suas mudanças, levando o sucesso do ORKUT para um lado que se assemelha mais ao facebook. O serviço ainda não está disponível para todos, e é preciso um convite para poder testar o novo ORKUT.

Acho mais interessante colocar aqui para vocês as ações, e que cada um tenha sua interpretação sobre a estratégia da Google. Achei a intenção boa, mesmo sacando de primeira que se tratava de um viral.

27/10/2009

As Relações Públicas e o Mercado de Luxo no Brasil

Podemos dizer que o Brasil hoje está na “moda”. Nunca se falou tanto de seu posicionamento mundial e das expectativas de crescimento (econômico, social e estrutural) de nosso país para os próximos anos. A realização da Copa do Mundo de 2014, assim como os Jogos Olímpicos de 2016 também ajudaram a dar destaque à nação tupiniquim.

Mas o que quero dar destaque neste texto é para um mercado, ainda novo, e que com todas essas fichas apostadas no Brasil, terá uma grande importância para profissionais de comunicação, design e até mesmo de administração. É o Mercado de Luxo. Não vamos pensar no significado óbvio que o nome possa nos trazer, mas tirar da idéia o significado que a palavra luxo possa ter de fútil – e passar a ver como um novo mercado estratégico e de atuação comunicacional.

Segundo a consultoria Escopo Geomarketing, vivem na cidade mais rica do Brasil, São Paulo, 24.700 milionários. Atendê-los movimenta a economia e as características sóciogeográficas da cidade. Levantamentos mostram que no Brasil existem cerca de 130 mil milionários, o 14º maior número no mundo (BURLE, Silvio. Milionários do Brasil. JC Online, 15/07/2007.)

Quem se preocupa com a comunicação para este público? Quais os profissionais que estão preenchendo as lacunas deste nicho exigente e ascendente no Brasil? Vamos lá RPs?

O grande diferencial em se trabalhar com o mercado de luxo é fazer com que cada produto seja visto como sinônimo de elegância, sofisticação e singularidade para o consumidor. As ações de RP são importantes neste mercado pelo fato de conduzir a imagem do produto em questão, fazendo com que sua divulgação – seja boca-a-boca, por ações promocionais em eventos focados no público consumidor e por patrocínios, seja bem feita e atraia uma boa mídia especializada.

O poder aquisitivo e conseqüentemente o poder de consumo do brasileiro, tem aumentado com o passar dos anos – o que levamos a deduzir que cada dia mais o público alvo deste Mercado de Luxo tende a aumentar. Outro fator a ser levado em consideração é o aumento da participação da mulher na economia, e a maior preocupação do homem com seus objetos de consumo, com a sua vaidade. O tempo destinado ao lazer, assim como a qualidade do mesmo também é um dado importante ao se levar em consideração que este também é um item deste novo mercado – sempre destacando também, o turismo promissor no país.

Enfim, creio que o estudo sobre este “público de luxo” ainda é muito novo no Brasil e que ainda não existe uma preocupação com o mesmo, quando o atual enfoque é sobre os meios de comunicação de massa, a influência da internet e nos meios de propagação de informação. Este público está bem distante de ser tratado como massa, e os profissionais de RP que estiverem bem preparados para saber conduzi-los, farão uma ótima escolha.

Já existem cursos de pós graduação no Brasil com a temática do Mercado de Luxo, a capital São Paulo contempla o maior número de cursos voltados à área.

23/10/2009

Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos nas organizações

Arquivado em: Blogs e Comunicação — Fabio Procópio @ 17:24
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Participo de um grupo de estudos multidisciplinar aqui na UNESP, onde atualmente debatemos o livro “Os sete saberes necessários à educação do futuro” – de Edgar Morin.

No último encontro debatíamos um trecho do livro onde o foco era a questão da diversidade cultural e a pluralidade dos indivíduos em qualquer contexto. Por sermos maioria estudantes de RP no grupo, sempre trazemos à tona a temática discutida para o nosso contexto de atuação e estudo.

Em um trecho do texto, Morin afirma que “O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. Todo ser humano traz em si o cosmo.Todo ser, mesmo aquele fechado na mais banal das vidas constitui ele próprio um cosmo”.

O que é o cosmo?

O cosmo é o universo em seu conjunto, é a totalidade de todas as coisas do universo…

Se todo ser humano traz em si o cosmo, é formado por todas as coisas do universo, devemos levar em consideração que ele não pode ser tratado como homogêneo nas organizações, e nas diversas formas de formação de grupos. Hoje em dia nas organizações, o maior erro que pode acontecer é fazer ou tentar com que a comunicação seja algo padronizado e com o objetivo de atingir o seu público, tanto “interno”, quanto “externo” igualmente.

Por que os funcionários levam seus problemas pessoais para dentro da organização?

Simples, o homem é ao mesmo tempo social, biológico,psicológico. Ele carrega dentro de si a responsabilidade de ser um bom funcionário, um bom pai, um bom filho, um bom marido – está entrelaçado em muitos “cenários sociais” e é aqui que entra o diferencial das organizações que pensam o homem como um indivíduo formado de um “cosmo” e de toda sua complexidade.

Não existe um manual, uma maneira correta de se trabalhar a comunicação e de gerir os relacionamentos dentro de qualquer instituição moderna. O detalhe e o diferencial é estar atendo a todas as mudanças que ocorrem no cenário do trabalho, adaptá-las ao cotidiano organizacional e fazer com que o ambiente de trabalho seja o mais propício para um bom convívio e relacionamento humano.

Saber levar o homem a sério, é fazer com que seus anseios, problemas e conquistas sejam reconhecidos, ou pelo menos levados em consideração no contexto organizacional. Assim devem funcionar as empresas modernas e novos modelos de gestão de relacionamento, tendo como foco principal o homem (e todas as suas complexidades).

19/10/2009

Recém formada em Relações Públicas pela UNESP/Bauru é finalista do prêmio ABRP

Acontece no próximo dia 28 de outubro no auditório da UniSant’Anna em São Paulo, a cerimônia da 27ª edição do Prêmio ABRP – Associação Brasileira de Relações Públicas. Mais de 100 trabalhos concorreram em diversas categorias, neste, que é hoje o maior prêmio da área em todo o país.

A agora profissional, Thais Rodrigues Marin, formada em 2008 pela UNESP/Bauru é uma das finalistas na categoria Monografia Governamental – orientada pelo Prof. Dr. Jefferson Oliveira Goulart, professor do Departamento de Ciências Humanas da FAAC/Unesp.

Em seu trabalho, Thaís debate o papel da comunicação pública e seus respectivos reflexos nas ações institucionais desenvolvidas pela SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária), e sua interlocução com os demais níveis de governos, entidades e sociedade civil para o fomento da economia solidária.

Logo que soube da indicação, entrei em contato com a “veterana” e pedi que compartilhasse um pouco de sua experiência na construção deste trabalho, que hoje concorre ao Prêmio ABRP. Desde já agradeço a disponibilidade da Thais e lhe desejo sucesso, no prêmio e na carreira que se inicia.

Acompanhe:

- Como você  chegou à escolha deste tema para o seu trabalho de conclusão de curso, e como foi o período de construção deste trabalho que hoje é finalista do prêmio ABRP?

Durante a faculdade, participei da Incubadora de Cooperativas da UNESP/Bauru, onde conheci a temática da economia solidária que me despertou um grande interesse de pesquisa. No meu último ano, estava envolvida com meu projeto de iniciação científica, cujo tema era a SENAES e as políticas públicas de economia solidária desenvolvidas pelo governo federal durante o primeiro mandato do Lula. O objetivo do estudo era tecer uma análise das políticas. Como já vinha me dedicando a esse estudo, optei por continuar com a temática sob outro viés, o da comunicação pública e das Relações Públicas. Evidente que pude fazer isso por perceber que a discussão era completamente válida e havia ali um interessante campo de estudo para a comunicação, já que para implementar suas políticas a SENAES estabelece parcerias com outros ministérios, secretarias, governos estaduais e municipais, ONGs, universidades e demais entidades de apoio à economia solidária. Assim, construí uma monografia, sem caráter de projeto experimental, pois o estudo não buscou propor estratégias, e sim traçar um panorama das Relações Públicas da SENAES.

O período de construção do trabalho foi bastante produtivo e gratificante. Cansativo também, claro, mas um cansaço prazeroso. Foram leituras, pesquisas, horas em frente ao computador, atendimentos, discussões e, sobretudo, dúvidas. Quando você finalmente protocola seu TCC, sente que todo o esforço valeu a pena. Ali está o resultado de quatro anos de curso.

- Como você vê no atual cenário brasileiro uma possível previsão acerca do “casamento” Relações Públicas + Economia Solidária?

O movimento da economia solidária é um grande representante dos movimentos sociais contemporâneos no Brasil. As novas configurações sociais e a eclosão de novos conflitos sugerem um constante repensar da ação dos movimentos sociais. Assim, como já elucidou Maria da Glória Gohn*, tem-se que o grande desafio para os movimentos sociais contemporâneos é articular estratégias e agir globalmente. Para a economia solidária, o maior desafio é definir horizontes práticos e sistematizar maneiras de alcançá-los. É preciso definir seu modelo de desenvolvimento. E, para isso, a articulação com outras lutas tem se mostrado fundamental. É justamente por essa necessidade de articulação que vejo um casamento perfeito entre economia solidária e Relações Públicas. Identificar cenários para a expansão do empreendimento e demais atores parceiros; elaborar e aplicar pesquisas com comunidades; planejar as atividades do grupo (planejamento participativo); articular redes de consumo e troca; organizar eventos como feiras solidárias; contribuir na construção e difusão do conceito da economia solidária; contribuir no relacionamento do grupo com entidades representativas, poder público e demais movimentos sociais etc. são todas atividades que podem ser exercidas por um profissional de Relações Públicas no movimento da economia solidária. Enfim, qualquer atividade que gerencie estrategicamente a informação, que é a matéria-prima das Relações Públicas, pode ser aplicada ao dia-a-dia de um movimento social por um RP. Trabalhar com empreendimentos de economia solidária é um interessante campo de atuação para o profissional.

* GOHN, Maria da Glória. Novas teorias dos movimentos sociais. São Paulo: Loyola, 2008.

- Seu trabalho concorre com uma monografia que enfoca as Relações Públicas como um caminho para a cidadania, e outro trabalho sobre as relações internacionais do governo brasileiro – Você está confiante com o seu tema, que ainda é uma novidade em se tratando de pesquisa acadêmica com enfoque nas Relações Públicas?

Analisar a atuação de uma agência governamental na implementação de suas políticas, especialmente políticas de economia solidária, com base nas Relações Públicas é uma novidade na agenda de pesquisa da comunicação. Estou confiante porque acredito que fiz um bom trabalho. Contudo, não conheço as outras pesquisas que, pela temática, parecem ser bem interessantes. De qualquer maneira, em prêmios como esse não há ganhadores e perdedores; todos ganham à medida que a divulgação desses trabalhos contribui imensamente para a produção do conhecimento na área.

- De onde partiu a idéia de concorrer ao prêmio ABRP 2009?

Conheci o Prêmio ABRP através de outros estudantes, nossos veteranos, quando eles se inscreveram para concorrer nos anos anteriores e foram finalistas. Prêmios como esse contribuem para aperfeiçoar e divulgar o conhecimento produzido na área. Penso ser fundamental a participação dos profissionais de Relações Públicas, principalmente os recém-formados. Por tudo isso decidi me inscrever.

- Para você, recém formada, qual o diferencial para que um aluno de graduação faça um bom trabalho de conclusão de curso?

O primeiro passo é  querer fazer um bom TCC. Ter afinidade com o tema e tempo disponível para se dedicar são peças-chaves. Evidente que escolher um orientador que dê o suporte que demanda a pesquisa também é fundamental. Além disso, há outras questões a serem consideradas, como a escolha de um tema pertinente à realidade das Relações Públicas;  a construção de objetivos claros; o levantamento de uma bibliografia adequada; a estruturação de cronograma; e competência para tecer as discussões que a pesquisa propôs. Acredito que todo estudante é capaz de desenvolver um projeto bem-estruturado e completo, basta se preparar aos poucos para isso durante todo o curso – e isso significa: aulas, leituras, discussões, grupos de estudo, eventos de RP; tudo aquilo que te faça “pensar” as Relações Públicas.

- Como foram seus anos de RP UNESP? Valeu a pena?

Com certeza valeu a pena. Não só pelo curso, mas pelas oportunidades que pude aproveitar durante os quatro anos. Fiz estágio na universidade e fora dela; fui da gestão da RP Jr.; participei da Incubadora de Cooperativas Populares da UNESP/Bauru; desenvolvi minha iniciação científica; participei de grupos de estudos; ajudei a organizar eventos no campus; fui a debates, simpósios e palestras de Relações Públicas; expus trabalhos acadêmicos em eventos etc. Acredito que o aluno não se forma somente pelo curso, que é, sem dúvida, a essência da formação profissional, mas também pelas atividades extra-curriculares com as quais se envolve. No caso do curso de Relações Públicas da UNESP, tais atividades podem proporcionar uma grande bagagem teórica, prática e, sobretudo, humana acerca da realidade da profissão e do dia-a-dia do profissional no mercado de trabalho. É o aluno, sempre, que garante uma boa formação, independente de quantas estrelas o curso esbanje nos tantos manuais que conhecemos.

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