Quero que este post seja mais um estímulo à discussão e construção coletiva nos comentários, e não um mero texto expondo determinado assunto – mesmo porque vou falar da arte de se contar histórias e a importância disso no contexto das organizações e como ferramenta de trabalho do comunicador.
Entendo que o storytelling é a arte de dar significados para algo poder ser significado. Parece meio complicado não é? Pois bem, tomando como base um artigo apresentado no XXXI Encontro da ANPAD, de autoria de Cintia Rodrigues de Oliveira Medeiros, podemos notar um pouco a importância de se contar e externar as “histórias organizacionais”.
No artigo que tem como estudo de caso a VALE, Cíntia Rodrigues mostra a importância de se estudar o contexto da empresa através de uma análise de sua cultura organizacional, passando depois para os conceitos específicos do storytelling.
“A idéia de que as organizações são construídas e reconstruídas discursivamente, visto que são faladas, escritas, personificadas, codificadas e registradas (KORNBERGER; CLEGG; CARTER, 2006), leva ao conceito de polifonia organizacional (HAZEN, 1993), compreendido como sistemas verbais socialmente construídos, ou a variedade de diferentes discursos que constituem a realidade organizacional.”
Acho muito importante que o profissional de comunicação esteja atento a essas histórias que são contadas diariamente na organização, nos seus mais diferentes setores e em nas diversas maneiras que essa mesma história possa ser contada – essa é a realidade organizacional, e este é o modelo que acredito que possa ser de construção mútua e pode servir de espelho (o mais digno) da organização – sabe quando dizemos que nossa meta/função é fazer com que a empresa “fale a mesma língua”?
Cíntia ainda diz no texto que as empresas estão cada dia mais se utilizando do storytelling (mesmo sem saber), para criar uma realidade comum entre os seus membros internos e externos – criar significados para que continuem na organização, para que os clientes comprem seus produtos,entre outros.
Acredito no storytelling como uma ferramenta de tornar a organização um significado para seus clientes, seus colaboradores e ajudar no processo de construção de imagem e reputação da mesma. É um tema ainda pouco discutido no âmbito da comunicação, mas bem importante e significado de diferencial para os que souberem se utilizar do mesmo.
Utilizar-se do storytelling é unir a multiplicidade das histórias para criar uma realidade – a realidade organizacional (BOJE, 1995; MILLS, BOYLSTEIN, LOREAN, 2001).
Penso ser complicado falar em realidade. O que é realidade para uns não é para outros. A história de uma organização é delimitada pelo conjunto de várias memórias, de todos aqueles que possuem algum envolvimento. Acredito muito mais na democratização da história que em uma realidade. Quando penso em realidade organizacional me vem à cabeça uma história selecionada e produzida. Realidade organizacional chega até a ser utópico. Minha opinião.
A importância deste estudo é legítima. Parabéns pela preocupação.
Comment por Dannyel Nakayama Izo — 04/11/2009 @ 17:36 |
Uma história selecionada e produzida é o strytelling Dannyel. Mas concordo com você no que diz respeito ao significado de realidade. O próprio storytelling é permeado e construído por e para significados, como citei no texto.
Abraços
Comment por Fabio Procópio — 05/11/2009 @ 03:40 |
Certo. Exatamente por isso que tenho medo do termo storytelling. As pessoas podem tomar como uma forma de se “produzir” a importância da empresa e não dar tanta credibilidade. O storytelling é como o seu post, legítimo, ele acontece de fato. Tem muita importância. Mas não consigo imaginar que ele por si só construa uma ‘realidade’. Esse termo me parece um pouco restritivo. Mas, de fato, essas ações são extremamente necessárias!
Abraços.
Comment por Dannyel Nakayama Izo — 09/11/2009 @ 14:20
Para de se enganar!
Tudo isso não passa de mentira.
O tal storytelling é uma enganação!
Comment por Robôdolfo — 05/11/2009 @ 02:50 |
Por quais motivos Rodolfo? Vamos debater por aqui!
Abraços
Comment por Fabio Procópio — 05/11/2009 @ 03:38 |
é fabio, na verdade estas ações vao muito além de contar história, além de registar a memória corporativa, geram o sentimento de pertencer, ótimo texto
MATEUS
@ocappuccino
Comment por OCAPPUCCINO.COM — 05/11/2009 @ 03:29 |
Pois é Mateus… penso assim também..A partir do momento que exista o sentimento de pertencer..o seu trabalho de RP pode fluir bem mais, tanto interno quanto externamente.
Abraços
Comment por Fabio Procópio — 05/11/2009 @ 03:39 |
Fabio,
gostei do texto, da preocupação e do olhar atento às manifestações culturais que muitas vezes deixamos passar em branco nas organizações.
É por meio das histórias que muito da cultura se constrói ou se fortalece. Saber contar uma historia não é tarefa corriqueira e deve ser feita de uma forma que pareça realista e relevante na opinião da empresa e também do funcionário. Não há nada de maquiavélico nisso. ‘Saber contar’ tem a ver com saber valorizar nossa memória e lembranças importantes para a construção daquilo que a empresa é hoje.
E quem conta histórias?? Todos! Fazer a gestão desse certo caos não é fácil, daí a dificuldade de as empresas tratarem o assunto. Por outro lado, a democratização da tecnologia tem ajudado muito. Hj é muito fácil gravar um vídeo com celular ou máquina fotográfica.
Comment por Viviane Mansi — 06/11/2009 @ 16:10 |
Legal Fábio!
A memória organizacional é muito importante. Eu com certeza ficaria muito feliz em trabalhar em uma organização que tem uma memória louvável e reconhecida.
Eu estou pesquisando sobre memória para o desenvolvimento de um projeto cientifico. Eu não conhecia do termo storytelling, gostaria de saber mais sobre o assunto. Acho que temos muito o que conversar. rs
Abraços,
Belle. A Bordo
Comment por Cibele Silva — 06/11/2009 @ 19:02 |
Fabio, muito legal seu post!
Já viu essa apresentação? Tem tudo a ver com esse assunto: http://www.slideshare.net/storieswelike/storyselling
É de um amigo meu, que escreve nesse blog http://suishima.blogspot.com
Vocês deviam conversar…
Comment por Luiz — 09/11/2009 @ 12:21 |
Pena que o pessoal que estuda o Storyteling sempre deixe de costado o papel de RP na produção…como os primeiros estudos estiveram focados nos produtos mediáticos passaram a atribuir determinados conteúdos/estratégica ao MKT, pelo menos era o que o professor Adenil falava e defendia na pós. Há muitas conttradições nessa “teoria”.;
Comment por Marcelo — 13/11/2009 @ 01:18 |