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Posts Etiquetados ‘Edgar Morin’

Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos nas organizações

Participo de um grupo de estudos multidisciplinar aqui na UNESP, onde atualmente debatemos o livro “Os sete saberes necessários à educação do futuro” – de Edgar Morin.

No último encontro debatíamos um trecho do livro onde o foco era a questão da diversidade cultural e a pluralidade dos indivíduos em qualquer contexto. Por sermos maioria estudantes de RP no grupo, sempre trazemos à tona a temática discutida para o nosso contexto de atuação e estudo.

Em um trecho do texto, Morin afirma que “O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. Todo ser humano traz em si o cosmo.Todo ser, mesmo aquele fechado na mais banal das vidas constitui ele próprio um cosmo”.

O que é o cosmo?

O cosmo é o universo em seu conjunto, é a totalidade de todas as coisas do universo…

Se todo ser humano traz em si o cosmo, é formado por todas as coisas do universo, devemos levar em consideração que ele não pode ser tratado como homogêneo nas organizações, e nas diversas formas de formação de grupos. Hoje em dia nas organizações, o maior erro que pode acontecer é fazer ou tentar com que a comunicação seja algo padronizado e com o objetivo de atingir o seu público, tanto “interno”, quanto “externo” igualmente.

Por que os funcionários levam seus problemas pessoais para dentro da organização?

Simples, o homem é ao mesmo tempo social, biológico,psicológico. Ele carrega dentro de si a responsabilidade de ser um bom funcionário, um bom pai, um bom filho, um bom marido – está entrelaçado em muitos “cenários sociais” e é aqui que entra o diferencial das organizações que pensam o homem como um indivíduo formado de um “cosmo” e de toda sua complexidade.

Não existe um manual, uma maneira correta de se trabalhar a comunicação e de gerir os relacionamentos dentro de qualquer instituição moderna. O detalhe e o diferencial é estar atendo a todas as mudanças que ocorrem no cenário do trabalho, adaptá-las ao cotidiano organizacional e fazer com que o ambiente de trabalho seja o mais propício para um bom convívio e relacionamento humano.

Saber levar o homem a sério, é fazer com que seus anseios, problemas e conquistas sejam reconhecidos, ou pelo menos levados em consideração no contexto organizacional. Assim devem funcionar as empresas modernas e novos modelos de gestão de relacionamento, tendo como foco principal o homem (e todas as suas complexidades).

Como transformar momentos de crise em trampolim ?

Essa semana vou postar um texto escrito por uma amiga muito querida, Lidirce Teixeira – também estudante de Relações Públicas aqui na UNESP/Bauru. Agradeço por ter aceito o desafio de poder contribuir não só para o blog, mas para você mesmo!

O pensamento complexo de Edgar Morin aplicado à comunicação

O pensamento complexo desenvolvido por Edgar Morin se utiliza do dialogismo para “explicar” o mundo. Trata-se da oposição de idéias, por exemplo, como sabemos que alcançamos a felicidade? Ou como sabemos que estamos tristes? Felicidade e tristeza são dois termos dialógicos, que necessitam um do outro para terem sentido em nossas mentes. Atualmente temos o hábito de separar uma organização em diversos “pedaços” para estudá-la, o setor de comunicação fica separado do setor financeiro, porém, é necessário compreender a complexidade; as contradições das organizações; as inter-relações entre os sistemas que a compõem, para realmente estudá-las.

Morin nos mostra como os termos paradoxos estão inter-relacionados. Indivíduo-sociedade, ordem-desordem. Um momento de prosperidade está aliado ao momento de crise. De que forma nós, comunicadores, devemos lidar com as crises que são, em alguns casos, inevitáveis? O principal ponto é ter consciência de que a crise deve funcionar como um trampolim, é a partir dela que a empresa será capaz de seguir adiante. A crise é um momento de instabilidade, e devemos aprender com ela para estarmos preparados para as próximas. É também um momento de mudança, muitas vezes de cultura e de postura. A mudança, quando é para melhor, é sempre bem-vinda, correto? Como profissionais de comunicação cabe a nós decidir se o momento da crise será superado de forma positiva – encarando a crise como um momento de mudança – ou de forma negativa.

Não estou dizendo que a crise não deva ser evitada, ao contrário, como profissionais estratégicos das organizações, devemos usar todo nosso conhecimento para evitá-la, mas devemos estar preparados para os imprevistos, e principalmente conscientes de que os problemas estão sempre acompanhados de soluções.

Kunsch, em seu artigo de 2006 entitulado “Planejamento e gestão estratégica de relações públicas nas organizações contemporâneas” cita os estudos dos Grunig sobre a “comunicação excelente”, afirmando que esta comunicação impacta nos processos estratégicos das organizações. Concordo plenamente com eles, porém, é preciso ter cuidado com o que esta comunicação “excelente” significa. A meu ver, a comunicação será excelente quando cumprir seus objetivos, que não devem ser “harmonizar” as relações, ou maquiar os reais problemas pelos quais a organização está passando. Uma comunicação excelente deve ser pautada na ética, e deve ser capaz de lidar com as adversidades, tratando-as como degraus de uma escada: a cada degrau ultrapassado, mais perto do topo se chega. Os problemas são as molas que impulsionam a empresa ou a própria comunicação a seguir adiante, as atitudes tomadas para solucionar os problemas constituem importantes lições apreendidas.

Mas como transformar problemas em aprendizado? O primeiro passo é estar ciente de que o esforço terá resultados positivos em relação ao que se ganha com a crise. O segundo é querer aprender com ela, utilizar a experiência a favor da organização, fazer com que, no momento da “volta por cima”, ela esteja em um nível acima do que estava antes da crise.

Somos profissionais capazes, somos versáteis, temos habilidade para fazer o que for necessário – sem esquecer da ética – para a organização voltar a ficar bem, o ponto crucial é fazê-la voltar ainda melhor. Tendo a consciência do dialogismo; de que tudo o que fazemos hoje terá um impacto no futuro e de que tudo está inter-relacionado, seremos capazes de transformar crises em trampolins para a prosperidade.

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